Laerte, fauno pelado
18 18UTC Dezembro 18UTC 2009 por ninfetasemfuriaOrientação dos Gatos VI
18 18UTC Dezembro 18UTC 2009 por ninfetasemfuriaChegamos então à sexta e penúltima parte do projeto “Orientação dos Gatos”, com a ilustração que fiz para o estranhíssimo sexto e penúltimo parágrafo desse fantástico conto de Julio Cortázar. Para ver a introdução e as partes anteriores dessa série clique aqui.
Esse desenho da série foi o que a Aline menos gostou. Ela diz que não entendeu. Eu concordo que ele talvez seja de leitura menos imediata, mas acho que ele condiz bastante com a atmosfera desse parágrafo. Acabei gostando bastante do resultado no final das contas. Vamos lá então!
VI.
Diante de um barco solitário e um primeiro plano de rochas negras, a vi permanecer imóvel um longo tempo; um imperceptível ondular das mãos fazia-a como nadar no espaço, buscar o mar aberto, uma fuga de horizontes. Eu não podia mais estranhar que essa outra pintura, onde uma cerca de agudas pontas vedava o acesso às árvores vizinhas, a fizesse retroceder como que buscando um ponto de mira, de repente era a repulsa, a recusa de um limite inaceitável. Pássaros, monstros marinhos, janelas dando-se ao silêncio ou deixando entrar um simulacro da morte, cada nova pintura arrasava Alana, despojando-a de sua cor anterior, dela arrancando as modulações da liberdade, do vôo, dos grandes espaços, afirmando sua negativa diante da noite e do nada, sua ansiedade solar, seu quase terrível impulso de ave fênix. Permaneci atrás sabendo que não me seria possível suportar o seu olhar, a sua surpresa interrogativa quando visse em minha cara o deslumbramento da confirmação, porque isso era também eu, isso era o meu projeto Alana, a minha vida Alana, isso tinha sido desejado por mim e refreado por um presente de cidade e moderação, isso agora afinal Alana, enfim Alana e eu desde agora, desde agora mesmo. Teria querido tê-la nua nos braços, amá-la de tal maneira que tudo ficasse claro, tudo ficasse dito para sempre entre nós, e que dessa interminável noite de amor, nós que já conhecíamos tantas, nascesse a primeira alvorada da vida.
Bom fim de semana para todos e até domingo! ;)
Projetos Normativos
16 16UTC Dezembro 16UTC 2009 por ninfetasemfuriaEsta última semana eu andei bastante ocupado com as entregas da FAU. Uma das coisas que me manteve ocupado foi justamente esta maquete de madeira balsa que fiz do projeto desenvolvido para a disciplina de Projetos Normativos juntamente com Alexandre Gaiser e Bruno Kim. Para ver mais sobre o projeto, visite os links abaixo:
Há mais um corte, feito pelo batata, que o cabeçudo ainda não publicou em nenhum lugar.
A maquete foi feita na escala 1:200, ou seja, este terreno em volta dela tem 35 x 35 cm.
o fabuloso mundo de alber elbaz
15 15UTC Dezembro 15UTC 2009 por ninfetasemfuriatrabalho final
15 15UTC Dezembro 15UTC 2009 por ninfetasemfuriaMomento “Como uma Deusa” V
13 13UTC Dezembro 13UTC 2009 por ninfetasemfuriaRetreino de Paint brush
11 11UTC Dezembro 11UTC 2009 por ninfetasemfuria

Já que o papo é Orientação de Gatos.
Orientação dos Gatos V
11 11UTC Dezembro 11UTC 2009 por ninfetasemfuriaChegamos finalmente à quinta parte do projeto “Orientação dos Gatos”, com a ilustração que fiz para o dificílimo quinto parágrafo desse inacreditável conto de Julio Cortázar. Para ver a introdução e as partes anteriores dessa série clique aqui.
Esse foi sem dúvida o desenho mais difícil. O que mais me empacou e o último a ser terminado. Eu gostei muito de alguns pedaços, mas confesso que outros me incomodam. Adoro as duas Alanas “de baixo”, mas a figura masculina não ficou como eu gostaria, para dar dois exemplos rápidos. E eu sou péssimo com mãos, como vocês já devem ter reparado.
Demorei para postar hoje por que tive uma reunião com meu grupo de pesquisa (no caso = orientadora + um colega). A reunião durou 7 horas. Parece meio surreal, mas as reuniões costumam durar isso. O pior é que elas são divertidas/legais. A questão é que, meu, são 7 horas. Para saber mais da minha vida leia o meu outro blog: http://www.pecanhaleitao.blogspot.com. Vamos ao conteúdo prometido então, né?
V.
Até então tudo tinha sido um vago aviso, Alana na música, Alana diante de Rembrandt. Mas agora minha esperança começava a se cumprir quase insuportavelmente, desde nossa chegada Alana entregara-se às pinturas com uma cruel inocência de camaleão, passando de um estado a outro sem saber que um espectador escondido observava em sua atitude, na inclinação de sua cabeça, no movimento de suas mãos ou seus lábios, o cromatismo interior que a percorria até mostrá-la outra, ali onde a outra era sempre Alana somando-se a Alana, as cartas juntando-se até completar o baralho. A seu lado, avançando pouco a pouco ao longo das paredes da galeria, eu a via entregar-se a cada pintura, meus olhos multiplicavam um triângulo fulminante que se estendia dela ao quadro e do quadro a mim mesmo para voltar a ela e apreender a transformação, a auréola diferente que a envolvia um momento para depois ceder a uma nova aura, a uma tonalidade que a expunha à verdadeira, à última nudez. Impossível prever até onde se repetiria essa osmose, quantas Alanas me levariam por fim à síntese da qual sairíamos os dois saciados, ela sem sabê-lo e acendendo um novo cigarro antes de me pedir que a levasse para tomar um trago, eu sabendo que minha longa busca chegara ao fim e que meu amor abarcaria a partir de agora, o visível e o invisível, aceitaria o límpido olhar de Alana sem incertezas de portas fechadas, de passagens vedadas.
Até mais, galera! ;)
do lixo ao lixo
10 10UTC Dezembro 10UTC 2009 por ninfetasemfuriaDepois de ver um filme deveras impactante no youtube (http://www.youtube.com/watch?v=lgmTfPzLl4E), decidi fazer um experimento: guardar meu lixo durante um mês para ter uma idéia da quantidade de resíduos que geramos para viver nosso ‘estilo de vida moderno e desencanado’. Eu chutaria que consegui juntar ai por volta de 80-90% de meus resíduos recicláveis (não, não estou guardando resíduos orgânicos ou anti-higiênicos, gostaria de poder ter guardado TUDO, mas meu quarto não abrigaria propriamente tal iniciativa). Esta pequena pilha equivale a 2 semanas de acúmulo, ou seja, deve dobrar ao longo do mês, terminando no dia 24 de dezembro. Agora, o que me fode é pensar – dado do filme - que para cada pilhinha desta que fiz em duas semanas, todo o processo industrial por trás de sua produção gerou mais 70. Ou seja, não adianta apenas eu ou você ver o tamanho do buraco necessário para enterrar toda esta merda, haja aterro sanitário.












